História da arrogância. Psicologia e limites do desenvolvimento humano

História da arrogância. Psicologia e limites do desenvolvimento humano

Luigi Zoja

Fruto de oito anos de estudos, o livro “História da arrogância” discute o tema do crescimento ilimitado da civilização ocidental, que gerou um perigoso acúmulo de culpa inconsciente e uma sociedade em que as coisas triunfam sobre as pessoas.

O tema central do livro é a hýbris (arrogância) e seu castigo inevitável. O autor desenvolve o conceito de Limite a partir da Grécia clássica: os antigos gregos acreditavam que o “pecado” da arrogância (quere ultrapassar os limites impostos pelos deuses aos homens) era duramente punido por Nêmesis, deusa da justiça.

A profunda análise dos antigos textos gregos, na primeira metade do livro, é seguida por um estudo das narrativas ocidentais sobre os castigos impostos a quem quebra o Limite: o Gênese bíblico, oInferno de Dante e O Aprendiz de feiticeiro de Goethe.

Na última parte do livro, Zoja ressalta a importância da análise psicológica para compreendermos o fenômeno do crescimento desenfreado da civilização atual até hoje discutido somente sob os pontos de vista científico e técnico.

Neste livro ricamente instrutivo e de forte sensibilidade, Luigi Zoja mostra a milenas negação dos limites e nos convida a refletir sobre os caminhos da nossa civilização neste novo milênio.

 

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Preconceito de professores é entrave para ensino de história afro-brasileira, aponta educadora

Da Agência Brasil

 Manaus – Por preconceito e falta de interese pela temática racial a maioria dos educadores não leva adiante a determinação federal de colocar em prática na sala de aula o ensino da história e da cultura afro-brasileiras. A opinião é da professora da Rede Municipal de Ensino de Manaus, Ana de Oliveira.

“Nós, professores, temos recebido apoio do governo federal e das secretarias [estaduais e municipais]de Educação para trabalhar o tema em sala de aula. Falta agora a iniciativa de cada professor. Trata-se de um processo de mão dupla, onde os governos fazem a lei, dão o incentivo e os educadores devem corresponder fazendo a sua parte”, afirmou a educadora. 

“Do contrário, a Lei estará sempre engavetada”, completou Ana, referindo-se a Lei 10.639 que, desde 2003, estabelece a obrigatoriedade do no país do ensino da história e cultura afro-brasileiras nas escolas públicas e particulares do Ensino Fundamental e Médio.

Também para Lenize Martins, diretora da Escola Municipal Professora Percília do Nascimento Souza, localizada na zona Oeste de Manaus, o preconceito é o maior entrave a aplicação da lei e o papel da escola é combatê-lo. 

“Vivemos uma época onde é preciso reconhecer que o preconceito racial existe e ultrapassá-lo. O trabalho pesado feito pelos primeiros negros no Brasil não é reconhecido como base para o início da construção da sociedade brasileira. Toda escola é formadora de opiniões e local de cidadania. Nesse sentido, tem papel fundamental para o esclarecimento sobre as diferenças existentes na sociedade e para a extinção de preconceitos”, apontou a gestora.

Ela conta que, para conscientizar alunos e a comunidade local sobre a importância de conhecer e valorizar a história e a cultura afro-brasileira, a escola decidiu esse ano mudar a forma de abordar o Dia da Consciência Negra, celebrado na próxima quarta-feira (20).

Há vários dias, os aproximadamente 500 alunos, do 1º ao 5º ano da escola, estão sendo mobilizados para apresentar uma série de pesquisas sobre os costumes, o vocabulário, a culinária e a influência do negro no Brasil numa feira cultural aberta à comunidade. De acordo com Lenize, a iniciativa representa uma ação localizada, mas que pretende contribuir para o cumprimento da Lei 10.639 promover a discussão sobre a questão racial na sociedade.

“Até o ano passado, o Dia da Consciência Negra, era trabalhado apenas como hora cívica. Estamos ampliando o tratamento desse assunto na escola e este ano decidimos fazer um evento maior. Pais, pessoas da comunidade e outros estudantes interessados também poderão participar. Nossa escola estará de portas abertas e com isso esperamos contribuir para uma melhor divulgação do assunto”, concluiu.

Em todo o estado do Amazonas, há cinco anos, é realizada a Semana da Consciência Negra, que reúne diversas atividades relacionadas às questões afro-brasileiras. As ações são realizadas de forma coletiva por entidades representadas no Fórum Permanente de Afro-Descendentes do Estado (Fopaam).

Segundo a entidade, estima-se que pelo menos 30% da população amazonense seja de descendência negra.

Fonte: UOL educação – http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/11/18/ult105u7278.jhtm

Os blogs crescem e há quem não goste

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 11/11/2008    

Em julho, o blogueiro Jason Calacanis anunciou sua aposentadoria da blogosfera. Calacanis, co-fundador da rede de blogs Weblogs Inc, podia ser definido como blogueiro de sucesso. Era respeitado e admirado na blogosfera. Por isso, a decisão de deixar a vida blogueira causou espanto. Não que tenha abandonado de vez a internet: Calacanis continua a expor suas opiniões em uma lista de e-mail – basta se inscrever na newsletter para receber as suas mensagens.

A saída da blogosfera foi definida por ele como “a decisão certa para mim e para a minha família”. Mais adiante, o ex-blogueiro revelou sua frustração. “Blogar virou algo simplesmente muito grande, muito impessoal; falta a intimidade que me levou a isso”, resumiu. Calacanis cansou da pressão para se manter na lista dos principais personagens da blogosfera, e de ter que manter seu blog tão impessoal para conseguir a proeza. Há alguns anos, quando poucas pessoas blogavam, era fácil ser uma celebridade da internet; hoje, isso exige trabalho árduo. “A blogosfera está tão carregada, tão polarizada, e tão cheia de gente com ódio que simplesmente não vale mais a pena”, lamenta ele.

Referência

O exemplo de Calacanis serve como atestado de óbito da blogosfera como espaço alternativo? A revista britânica Economist [6/11/08] afirma que o blog virou mainstream. Há pouco tempo, blogar significava publicar, em uma pagina de internet, textos, fotos e vídeos, principalmente sobre a vida do blogueiro, para um público formado, em grande parte, por amigos e parentes. Hoje, sem se dar conta, muito mais gente faz isso. Internautas que criam perfis em redes sociais, como Facebook, MySpace e Orkut, acabam se tornando blogueiros. Além disso, viraram os febre serviços de microblogging, como o Twitter, que recriam o imediatismo e a sensação de intimidade dos primeiros blogs. As mensagens do Twitter, que podem ser enviadas de telefones celulares, devem ter até 140 caracteres. Para explicar o propósito, o Twitter tem como mote a pergunta “O que você está fazendo?”.

Já os blogs tradicionais, diz a Economist, tendem a virar páginas de organizações de mídia convencionais. Quase todo jornal, emissora de TV e rádio tem agora um sítio de internet e, dentro dele, vários blogs de jornalistas e colaboradores. Nas últimas eleições presidenciais americanas, blogs profissionais como o liberal HuffingtonPost (4,5 milhões de visitantes em setembro) e o conservador FreeRepublic (1 milhão de visitantes) tiveram grande destaque.

Empresas fora do setor jornalístico também passaram a ver na blogosfera uma ótima ferramenta de negócios. Companhias de todos os tipos usam essas páginas para passar ao público mensagens corporativas e para se comunicar com seus funcionários. Firmas especializadas em ferramentas para blogs vêem estas empresas como seu mercado mais promissor.

O Weblogs, de Jason Calacanis, foi vendido para o portal AOL. O Blogger, outro serviço do tipo, agora pertence ao Google. Seu fundador, Evan Williams, hoje dirige o Twitter, que define como “o futuro”. E é esta magnitude que passou a incomodar alguns dos mais antigos blogueiros. Eles não podem negar, entretanto, que a blogosfera se tornou um espaço versátil e que o ato de blogar provou-se bastante útil.

 

FONTE: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA – http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=511MON001

Erros disseminados pela Internet

Enciclopédia de erros destila o pior da blogosfera

Por Luiz Weis em 13/2/2007

Não é novidade, nem exagero, que a informação na internet muitas vezes é um alimento impróprio para consumo. Nos blogues, quando não é o blogueiro, são os leitores que escrevem com a maior sem-cerimônia aquilo que acham que é verdade, ou, preferivelmente, que gostariam que fosse verdade.

É certo que os disseminadores de informações falsas não formam maioria. Mas o seu número e a freqüência com que se manifestam são suficientemente grandes para sustentar a hipótese de que, apesar de tudo, os fatos estão mais bem servidos na mídia convencional do que na web – mesmo desconsiderando o que circula em sites de relacionamento como o Orkut e de expressão pessoal, como MySpace e YouTube.

É certo também que nem todos os erros ficam para todo o sempre sem correção. Mas a regra geral parece ser a de que é mais fácil sair uma informação errada na rede do que a informação errada ser corrigida.

Autoria identificada

Outro dia, o leitor de um blog escreveu que a imprensa paulista escondeu o ato de prepotência do prefeito Gilberto Kassab contra um cidadão que se pôs a protestar contra ele num posto de saúde. Ninguém o corrigiu, nem mesmo o blogueiro – porque se ficasse apontando cada inverdade ou meia-verdade nos comentários aos seus artigos provavelmente sobraria pouco tempo para ele próprio escrever. E não se está falando de opiniões ou juízos de valor, mas de fatos objetivos, passíveis de verificação elementar.

O site talvez mais infestado de erros – e decerto o maior indutor mundial de erros, pelos zilhões de internautas que o procuram a cada dia, tomam por verdade e reproduzem o que ali encontram – é a Wikipédia.

A chamada enciclopédia das novas gerações mereceu matérias de interesse na CartaCapital (”Referência fast-food“, edição nº 431, 12/2/2007) desta semana e na Folha de S.Paulo (”Enciclopédia virtual busca superar Wikipedia“, para assinantes do jornal ou do provedor UOL) da segunda-feira (12/2).

A primeira, do editor Antonio Luiz M.C. Costa, é um giro deprimente pela enciclopédia criada em 2001 e que só na versão original, em inglês, tem 1,6 milhão de verbetes. (Ao todo são 4,8 milhões, dos quais 238 mil em português.) “Abaixo da crítica” é como Costa classifica boa parte da informação contida no site.

A segunda matéria, do repórter Eduardo Simões, traz uma boa notícia: vem aí uma enciclopédia virtual – Citizendium – que pretende fazer direito o que a Wiki (”rápido”, em havaiano) faz torto.

Nesta, qualquer pessoa pode criar e alterar artigos. E esses colaboradores – cerca de 75 mil – podem esconder a sua identidade em pseudônimos. Depois de divulgar uma montanha de barbaridades, Jimmy Wales, o responsável pelo site – que forçou a demissão do antecessor Larry Sanger – criou uma espécie de conselho editorial para separar o lixo do resto. Afirmações duvidosas passaram a vir acompanhadas de uma advertência entre parênteses: “carece de fontes”, em português. Há verbetes em que a expressão aparece repetidamente, numa frase depois da outra. “Paredón”, em “ditaduras_cubanas” é um caso. Impresso, não serviria nem para embrulhar peixe, como se diz nas redações.

Já o Citizendium – contração de “compêndio dos cidadãos”, em inglês – aceita apenas colaborações de autores identificados, cujos textos verão a luz do dia só depois de passar pelo crivo de uma centena e meia (por enquanto) de editores especializados, escolhidos entre os que enviaram currículos por e-mail. O site está em fase de lançamento. O seu criador é o mesmo Larry Sanger, ex-Wikipédia.

Sem fins lucrativos

“Estudar certos verbetes da Wikipedia é pôr em risco tudo o que se aprendeu, se não a sanidade mental”, escreve Costa.

Ele exemplifica com um punhado de verbetes, começando por “ditaduras”, do qual transcreve trechos breves, mas suficientes para provar que se trata de um bestialógico, onde não se sabia o que é pior: os conceitos ou o português.

O artigo toca no nervo do problema nessa passagem:

“A comunidade da Wikipédia tem uma cultura antiintelectual. Falta respeito para com a perícia e experiência de especialistas e sobra tolerância para com quem os despreza e ridiculariza. Quem tem qualificação, mas pouca paciência, desiste: ao editar artigos sujeitos a qualquer controvérsia, terá de defender exaustivamente suas opiniões contra leigos ineptos, prontos para desfigurar seu trabalho e denunciar suas objeções como `censura´. Se reclamar, receberá um passa-moleque ou um pedido para `cooperar´ com colegas incultos e pouco razoáveis. Muitas pessoas capazes, dispostas a cooperar educadamente com parceiros que fossem racionais, bem informados e bem-intencionados, caíram fora.”

É o que a blogosfera tem de pior, destilada num único site.

Contra isso é que pretende se erguer o Citizendum. “Sem fins lucrativos”, informa a reportagem da Folha, a nova enciclopédia “tem feito pedidos de doações através do seu site e acaba de se associar a uma empresa incubadora de projetos que não visam lucro”.

O dinheiro recebido – cerca de 40 mil dólares, disse Sanger à Folha – é pouco para pôr o site no ar. “Impossível prever” quando isso acontecerá, reconhece.

FONTE: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA – http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=420ENO002